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    Movimentos no mundo móvel

    Motorola compra A, B, C. Nokia adquire X, Y, Z. Outros compram outras letras. Apple lança celular. E as operadoras vão atrás de serviços e convergência. Tomara.

    A feira de negócios de internet e mobilidade anda agitada. A Nokia pagou perto de US$100 milhões por Twango, um start-up formado por cinco ex-funcionários da Microsoft e seus 10 empregados. Os quinze são os verdadeiros homens de US$ 7 milhões. Twango é uma plataforma de compartilhamento e endereçamento de mídia e o casamento de um competidor do Flickr com a Nokia dá o que pensar.

    Os finlandeses estão comprando: entre outros, em 2005 foi a Loudeye, pretenso rival de iTunes e, ano passado, a Intellisync, cujo negócio é sincronizar aparelhos com fontes de informação, o que pode ser muito útil se você está se movendo, por aí, e seus serviços não estão exatamente dentro de seu celular. O fato do espaço móvel, por limitações dos celulares e operadoras, não funcionar do mesmo jeito da web, pelo menos por enquanto, cria um monte de oportunidades de negócio, raramente percebidas por gente da periferia como nós, brasileiros.



    Mas não é só a Nokia que está na feira: a Motorola comprou a Good, um rival da RIM (que faz o Blackberry), no fim do ano passado. Este ano, trouxe pra casa Modulus, Leapstone, Terayon, Tut e Kreatel, ligadas de uma forma ou outra a vídeo digital em rede. Sem falar em Netopia, de acesso à rede, e nos US$3.9 bilhões gastos na Symbol, que cuida de mobilidade empresarial.

    Resumo: a Nokia está indo pra comunidades (e não só) e a Motorola pra convergência digital e localização (e não só). Os dois, e todos os outros fabricantes, estão interessados em prover o que a TIM e outras operadoras estão prometendo: “Temos que oferecer toda a convergência a partir do móvel, como fez a Vodafone na Europa”. No caso da Moto, em particular, há uma grande aposta em mídia convergente, especialmente no que se poderia chamar de localcast IPTV móvel, parte de um mercado que pode crescer mais de 100% por ano próximos anos.

    Ainda mais interessante é ver que negócios até pouco tempo atrás identificados como "de hardware", como Nokia e Motorola, estão se transformando em software e, rapidamente, em serviços. É fácil imaginar que a Nokia não vai "vender" uma cópia de Twango pras operadoras… até porque o valor do "sistema" seria muito menor que o "da rede". Logo, as teles comprarão seu "serviço"… e a mesma coisa vale para algumas aquisições da Motorola, senão todas.

    Aqui é onde entra a Apple, o iPhone e sua operadora, a AT&T, cuja escolha expõe a fragilidade da infra-estrutura móvel americana: para ter mais controle sobre o que vai acontecer, a Apple optou por uma operadora 2G, que não tem banda para fazer do iPhone uma verdadeira alternativa de serviços móveis de alta qualidade, como os pares Palm Treo 700p & Verizon e HTC Mogul & Sprint bem que tentam, apesar da pobreza relativa de suas interfaces.

    Rodando em uma só operadora e em 2G, talvez o iPhone não vá ser este sucesso todo nos EUA, a mil dólares por ano de conta básica. E há quem ache que ele não vai pegar na Europa, por um monte de boas razões. A mais complexa é a diversidade das redes e o estilo de uso de celulares em comparação com os EUA. A mais simples é que muita gente já está descobrindo (mesmo nos EUA) que um celular não é um produto (como um iPod quase é) mas um serviço... e que a operadora é mais importante do que o fornecedor de telefones.

    Por isso que fabricantes como Motorola e Nokia estão no mercado, comprando empresas de serviços móveis. A Apple, especialista experiência do usuário, está fornecendo (desta vez) só a pequena ponta de cá da cadeia de uso. Se o meio não se ajustar e não entregar os serviços exigidos pelos usuários, Steve Jobs pode ter uma grande decepção. E os usuários (e não proprietários) do iPhone vão exigir muito. E quem pode acabar entregando o resultado (por um preço) são os outros fabricantes, que estão comprando tudo o que pode vir a significar serviço de qualidade do lado das operadoras…

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