A Copa de Futebol e o Congresso de Robôs...Começamos mal na Copa América. Espera-se que seja diferente na RoboCup. Que talvez nos leve a trocar a representação popular...Nunca joguei um futebol que se aproveitasse. Menino, dono da bola e do campo, me descobria no gol. E não reclamava, porque era perna de pau certificado, também como goleiro. Talvez fosse tão ruim como a seleção brasileira desta Copa América. Mas isso deve ser um erro de percepção. Eles não são ruins, só não são um time. E jogadores não ganham Copas, times sim, como a Itália de 2006. E ninguém tá nem aí pra Copa América. Não, não é verdade:
México 2 x 0 Brasil deu até na Malásia... Mas isso é um detalhe, como dizem nossos “campeões”.
Enquanto as peladas se desenrolam na Venezuela, há uma
outra “copa” começando no primeiro de julho, em Atlanta, na Geórgia. E o Brasil também está lá, com onze entre 321 times de todo mundo. É a Copa Mundial de Futebol de Robôs, a
RoboCup, cujo objetivo é desenvolver, a partir de um evento competitivo anual e mundial,
um time de robôs humanóides autônomos capaz de ganhar do time campeão mundial humano em 2050. Sim, haverá uma Copa de humanos em 2050. Se haverá um time de robôs que possa vencê-lo, é outra conversa. Até lá, temos 43 anos e pelo menos quatro novas gerações de computação, comunicação e controle.

Tal tipo de aposta de longo prazo é comum na história da ciência e engenharia; trata-se de um “grande desafio”, impossível de ser realizado curto prazo, usado como motivação, política e estratégia de financiamento para pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Mas há gente olhando para bem mais perto. O Pentágono planeja substituir um terço de seus veículos de guerra por robôs até 2015. Para tal, estimula competições entre sistemas não tripulados, como a
Darpa Grand Challenge. Na última, o problema era atravessar um deserto, só o carro e sua “inteligência”. O plano dos militares inclui
sistemas aéreos não tripulados e até
cães mecânicoscapazes de carregar 40kg, em condições de batalha, por muito tempo.
Por trás destes artefatos, quer sejam robôs futebolistas, armas autônomas ou animais “elétricos”, há software. No software, há regras: de mobilidade, observação, manipulação, combate, regras genéricas e específicas, mas nenhuma que responde, de forma segura, aos questionamentos que começam a ser feitos sobre o impacto de sistemas autônomos dentro do ambiente onde coisas vivas, entre elas nós, humanos, estamos.
Sobre armas autônomas e inteligentes, pesquisadores descrevem um espaço multi-dimensional de ações
comportamentais possíveis, destinado a resolver o problema de eliminação “ética” de alvos. Será suficiente?… O assunto vai ser muito discutido em futuro próximo, e não só por causa de armas “inteligentes”: à medida que “coisas” começam a parecer inteligentes, toda a problemática ética e moral que enfrentamos como seres vivos
vai ter que ser discutida também para as máquinas. E o assunto não para de se tornar cada dia mais complexo e polêmico. Quer ver?
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O que nos leva de volta a 2050: se vai mesmo haver um tira-teima entre robôs e humanos para decidir quem são os reis do futebol, quais serão as regras do jogo? A catimba e a malemolência fariam parte da ética daquele futebol? Assim como a cartolagem e os juízes, por assim dizer, menos atenciosos ao desenrolar dos acontecimentos? Outro dia, uma faixa pedia para o juiz “roubar com moderação”. Será que um jogo limpo, ético, de acordo com os princípios quase heróicos que Charles Muller trouxe para o Brasil... teria o interesse e torcida de um confuso e bagunçado jogão dos nossos dias?
Ou será que, no time de robôs de 2050, a “ética” será definida pela (grande) banda podre do nosso Senado, pra tornar o jogo mais “interessante”? Esperemos que não. Do jeito que a coisa vai, será o contrário: a solução para o Congresso pode ser o desenvolvimento de representantes-robôs, debaixo de regras claras, transparentes e muito bem implementadas. Daria menos noticiário. E sairia muito mais barato. E, se os robôs ganharem dos campeões do mundo, porque não poderiam ser deputados e senadores?...